IPv6 é a solução para as demandas e problemas de tráfego na web

Internet lenta, cara e instável enche os cofres das operadoras

Enquanto os burocratas do parlamento insistem em controlar a internet com seus marcos regulatórios, as operadoras deitam e rolam vendendo pacotes caros. Computadores (desktops) e notebooks (laptops) não são mais os únicos dispositivos usados hoje para acessar a rede mundial de computadores conhecida como wide world web (www). O surgimento de novas plataformas como smartphones, tablets e as nuvens culminou numa explosão de demanda.

IPv6: utilização é medida em relação ao número de designações de blocos de endereços para usuários finais

Como o conhecido IPv4 possui um limite de 4.494.967.296 endereços, as operadoras optaram por criar uma tecnologia para driblar essa limitação (NAT) e continuar lucrando. Assim, essa tecnologia faz a “conversão” de endereços privados para endereços públicos. O problema é que mais de uma centena de usuários de uma mesma operadora compartilha um único endereço público. Daí, a ocorrência de relatos de lentidão na navegação e impossibilidade de se rodar determinados jogos online. A conexão é simultânea por serviço e não por dispositivos.

O que significa NAT? Network Adress Translation. O que vem a ser na prática? Significa traduzir seu endereço IP utilizando o IPv4. O que é IP? IP significa Internet Protocol e é um número que seu computador recebe quando se conecta à Internet. É através desse número que seu computador é identificado e pode enviar e receber dados. O IP é definido pelo seu provedor de Internet e pode ser estático/fixo (não muda) ou dinâmico/reverso (muda a cada acesso). Como você pode saber o número do seu IP e se ele é fixo ou dinâmico? Uma das muitas ferramentas é acessar o site www.meuip.com.br.

O NAT faz com que o usuário perca a autonomia no gerenciamento das regras de redirecionamento. O endereço público retorna ao NAT, mas ele não sabe a quem entregar. Pois bem, o CGNAT é a solução paliativa utilizada hoje para se converter uma grande quantidade de origens em endereços de transição disponíveis. O Carrier Grade NAT (CGNAT) é um tradutor de endereço de internet. Com o fim ou esgotamento de endereços IPv4, as operadoras perderam a capacidade de fornecer um IP público e dinâmico exclusivo para cada dispositivo. O CGNAT faz o papel de intermediário entre a rede local e o provedor de internet. O provedor que administra o serviço é quem configura o CGNAT.

Se um determinado usuário precisar de um IP fixo, por exemplo, terá que pagar muito caro à operadora para instalar o protocolo. Existem demandas que requerem o endereço fixo para disponibilização remota de dados. É o caso, por exemplo, das academias de ginástica que utilizam a catraca eletrônica para controle de acesso de seus alunos/clientes. Com o endereço dinâmico perde-se, no dia seguinte, a configuração anterior e o acesso estará prejudicado. Haverá a necessidade de se configurar o novo endereço IP. Ou seja, o software instalado no computador está acoplado a uma base de dados online que faz a leitura das informações e libera ou bloqueia o acesso do aluno. Isso explica a diferença entre o IP que é exibido no resultado de busca por IP da máquina e o IPv4.

O protocolo IPv6 apresenta como principal característica o aumento no espaço para endereçamento. No IPv4, o campo do cabeçalho reservado para o endereçamento possui 32 bits, com um máximo de 4.294.967.296 endereços distintos. Na época de seu desenvolvimento, esta quantidade era considerada suficiente para identificar todos os computadores na rede e suportar o surgimento de novas sub-redes. No IPv6, o espaço para endereçamento possui 128 bits, podendo obter 340.282.366.920.938.463.463.374.607.431.768.211.456 endereços. Este valor representa aproximadamente 79 octilhões (7,9x1028) de vezes a quantidade de endereços IPv4 e representa, também, mais de 56 octilhões (5,6x1028) de endereços por ser humano na Terra, considerando-se a população estimada em 6 bilhões de habitantes.

IPv4 - 32 bits divididos em quatro grupos de 8 bits cada, separados por “.”, escritos com dígitos decimais. Por exemplo: 192.168.0.10.

IPv6 - 128 bits divididos em oito grupos de 16 bits cada, separados por “:”, escritos com dígitos hexadecimais (0-F). Por exemplo: 2001:0DB8:AD1F:25E2:CADE:CAFE:F0CA:84C1.

Tipos de endereços definidos no IPv6:

Unicast – identifica uma única interface, de modo que um pacote enviado a um endereço unicast é entregue a uma única interface.

Anycast – identifica um conjunto de interfaces. Um pacote encaminhado a um endereço anycast é entregue a interface pertencente a este conjunto mais próxima da origem (de acordo com distância medida pelos protocolos de roteamento). Um endereço anycast é utilizado em comunicações de um-para-um-de-muitos.

Multicast – identifica um conjunto de interfaces, entretanto, um pacote enviado a um endereço multicast é entregue a todas as interfaces associadas a esse endereço. Um endereço multicast é utilizado em comunicações de um-para-muitos.

IPv4 - existe endereço broadcast responsável por direcionar um pacote para todos os nós de um mesmo domínio.
IPv6 - não existe endereço broadcast pois essa função foi atribuída a tipos específicos de endereços multicast.

Com IPv6 a utilização é medida em relação ao número de designações de blocos de endereços para usuários finais, e não em relação ao número de endereços designados aos usuários finais. Leia mais emhttp://ipv6.br/pagina/livro-ipv6/.

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