Telefonia não alcança distritos

Telefonia celular, telefonia rural e internet ainda não alcançaram distritos, subdistritos e localidades pequenas ou povoados de Mariana. O Programa de Universalização do Acesso aos Serviços de Telecomunicações do Estado de Minas Gerais, o Minas Comunica II, lançado em janeiro de 2014, no governo de Anastasia, só chegou a Cláudio Manoel.

Torre de Camargos não está funcionando, pois não atendeu às exigências da Anatel

O serviço de cobertura celular chegou este mês (agosto/17) a Cláudio Manoel. Executado pelo Governo do Estado, através do Minas Comunica II, o programa visa levar a telefonia móvel para pequenas localidades que ainda não contam com o serviço. O Edital de Chamamento Público nº 001, da SEPLAG, foi publicado em 2014. A segunda etapa deveria alcançar diretamente 359 municípios e cerca de 1,17 milhão de pessoas. Minas tem aproximadamente 5.700 distritos e quase o dobro disso de subdistritos e povoados. É grande a demanda.

A complexidade desses programas envolve a fiscalização e o gerenciamento na prestação de serviços feita pelas terceirizadas das operadoras. Ou seja, a operadora repassa o serviço de implantação, ampliação ou manutenção para empresas terceirizadas, mas de modo geral existem falhas no procedimento de acordo com a insatisfação dos consumidores com o serviço prestado. Segundo o técnico em Telecomunicações, Aires José Mazoni, a retirada do sistema GSM ou 2G cria imensas áreas isoladas. Principalmente nas áreas mais afastadas como zonas rurais e estradas.

As operadoras de serviços de telefonia móvel celular não consideram rentáveis o investimento na maioria dos Distritos. Este serviço é essencial para a integração social entre as comunidades rurais e urbanas, favorecendo o desenvolvimento econômico e social da região. É a comunicação que vai proporcionar que os pequenos produtores encontrem novos mercados e tenham a visibilidade necessária para se expandir e gerar emprego e renda. Não apenas o acesso à informação, mas a serviços de saúde, educação, segurança, compras governamentais, tecnologia.

WCDMA (VOZ, DADOS E INTERNET) 3G
"A telefonia 3G começou a ser instalada no segundo semestre de 2008, com uma tecnologia para melhorar o acesso à internet, permitindo o compartilhamento de informações via celular. Mesmo estando atrasados em tecnologia há anos, o 3G melhorou o atendimento e o investimento na área de telecomunicações. Devido, inclusive, à grande demanda de usuários. Troca-se o cabo metálico de cobre pela fibra óptica - com muito mais capacidade operacional - e melhora-se também a estrutura nos pontos físicos. Porém, a utilização do 3G nos pequenos centros urbanos ficou limitada a concentração de sinal a torres (sites). De acordo com relatos da coordenação do Minas Comunica II, a viabilidade dos SITES (Bandeirantes, Padre Viegas, Santa Rita Durão, Furquim, Cachoeira do Brumado, Cláudio Manoel, Camargos e Monsenhor Horta) está pendente em algumas questões: processo de legislação ambiental, implantação de sistema de transmissão, implantação de sistema de RF e ERB’s, implantação de um site de repetição para o comissionamento dos demais", explica Aires.

GSM (DADOS E VOZ)
"A incidência de roubo desse tipo de material (cobre) tornou inviável para as operadoras a sua aplicabilidade em torres afastadas e de pouca segurança. Haja vista o vandalismo em sua Estação Rádio Base. O material é volumoso e pesado, ocupando grande parte das estruturas vertical ou horizontal".

ANTENAS
"Especificamente, existem uma variação de antenas, seja pelo formato, modelo, fabricante etc... Mas, queremos saber é: onde elas nos atendem? Antenas de Rádio Freqüência são responsáveis pela transmissão (up link e down link) nos aparelhos celulares dos usuários".

Tipos de antenas mais usadas:
900 MHZ: usada em 2G (GSM) alcance de sinal cerca de 30 km em linha reta;
1800 MHZ: usada em 2G (GSM) alcance de sinal cerca de 18 km em linha reta;
1800/2100 MHZ: usada em 3G (WCDMA) alcance de sinal cerca de 13 km em linha reta;
2100/2450 MHZ: usada em 4G (LTE) alcance de sinal cerca de 10 km em linha reta.

ANTENA 900 MHZ - "As marcas mais conhecidas são: Andrew e RFS. São usadas desde o início dos anos 2000 como substitutas ao antigo sistema de TDMA, dos anos 90. A instalação é feita com cabos de 1’5/8, 7/8’ e ½ de cobre, conectores, filtros, amplificadores e aterramentos. Porém, com baixa capacidade de transmissão de sinal e alto custo de manutenção. Atende a comunidade mais distante da torre de transmissão e atinge também a zona rural.

TRANSMISSÃO
"Os links ou mini links são responsáveis pela transmissão de sinais. Ou seja, eles é que criam a rota onde os sinais eletromagnéticos vão passar para chegar ao destino da ligação. Exemplo: se ligarmos de Mariana/MG para Fortaleza/CE, seremos direcionados através das centrais para uma rota até o destino.

PROJETO RURAL VIVO
"O Minas Comunica II, estabelecido com prioridade aos distritos dos municípios, é teoricamente um PROJETO RURAL. São elementos que fazem parte desse pacote: SITES com torres triangulares ou postes autoportantes, antenas de mini links (Ericsson, Huawei e Ceragon), todos para uso na tecnologia 3G. Lembrando que o 3G utiliza antenas 850/1800/2100", acrescenta Aires.

TORRES ANTIGAS
A torre antiga de Camargos estava com impeditivo devido à proximidade da Igreja Matriz. Ela foi montada em local errado. Tem que ter pelo menos 150 metros de distância. A torre não podia ter transmissão. Interferência desse tipo de instalação somente pode acometer equipamentos hospitalares como raios x. "As torres são compartilhadas, ou seja, suportam diversos tipos de antenas e links, no entanto as freqüências não podem ser as mesmas, isso sim acaba causando interferências indesejáveis. Antena com a freqüência certa não entra na outra. É uma questão de fiscalização". Aires Mazoni explica que além da retirada das antenas de GSM de 900 e implantação do 3G, há necessidade de fiscalização do escopo e direcionamento de PPI. O técnico inclui ainda a visada de RF e alarmes e a implantação de repetidoras para 3G ou manutenção do GSM.

PROJETO NA GAVETA
Aires Mazoni desenvolveu um projeto para essas regiões afastadas do município Sede. Trata-se basicamente da implantação de repetidoras GSM/3G e implantação de rádio monocanal em parceria com o Governo do Estado e Operadora (sistema de telefonia fixa). Batizado de PROJETO PARCERIA TELEFONIA RURAL, prevê a execução de serviços em torres, postes e prédios; levantamento dos locais a ser implantado o sistema monocanal; instalação de rádio monocanal para atender a comunidade rural; fiscalizar cerca elétrica, QDCA, QDCC, aterramentos, luz de balizamento, alimentação Cemig, parte civil; instalação de antenas, cabos, azimuths, conectores, suportes, alarmes, aterramentos, relatórios fotográficos; desenvolvimento do Projeto Provisório de Instalação (PPI); desenvolvimento do Projeto Definitivo de Instalação (PDI); realização de pesquisas, questionários e reuniões periódicas nas comunidades; acompanhamento e análise da documentação para a execução de novas atividades nas torres/postes no município de Mariana, que envolvam as legislações federal, estadual e municipal, bem como legislação ambiental, normas da ANATEL, normas da Operadora, normas do DETEL e do Minas Comunica.

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