Vale foi tomar a bênção

Não bastasse as trapalhadas do governo federal e o malogro que culminou na crise política, econômica e moral que está levando à falência estados e municípios, a região do quadrilátero ferrífero ainda enfrenta o desemprego. Os prefeitos estão aprendendo com o colega Leris Braga, de Santa Bárbara, que precisam negociar melhor a água e o solo junto às mineradoras.

Alcaide de Santa Bárbara está fazendo escola

Leris recebeu na tarde de quarta-feira (13/9), o responsável pela engenharia da Vale, Rogério Galvão, o gerente executivo de Operações de Mariana e Brucutu, Fernando Carneiro e a analista de Relações Institucionais e Comunidade, Janua Abrantes, para tratar do Projeto Capanema a Umidade Natural.

Ao protocolar na Prefeitura de Santa Bárbara, documentos do futuro e promissor empreendimento, representantes da Vale sinalizam oportunidades para o município, além de empregos diretos e indiretos, considerando um prazo de dois a três anos para regularização e operação da mina, diz a nota da assessoria de Comunicação daquela prefeitura.

O prefeito, que se mostrou irredutível com a Samarco, parece propenso a aceitar a oferta da Vale, uma das sócias da joint-venture. “Esse projeto proporcionará ao município de Santa Bárbara geração de riquezas e empregabilidade para a nossa região, uma vez que Itabirito e Ouro Preto também são parte deste projeto somando aos benefícios indiretos de outros municípios”, afirma Leris.

O projeto “Capanema a Umidade Natural” compreende a retomada da operação da Mina de Capanema da Vale, situada na porção leste do Quadrilátero Ferrífero, junto à divisa de Itabirito, Ouro Preto e Santa Bárbara. Recursos hídricos e commodities em alta e mão de obra desvalorizada. Os prefeitos estão de olho na receita e ninguém discute a questão salarial e a insalubridade.

Enquanto isso, em Mariana, o prefeito culpa a Samarco pela situação caótica do município. Em tempos de crise econômica, o emprego vira moeda de troca eleitoral. Quem tem um bom padrinho político não fica desempregado. E como a oferta de mão de obra é maior que a demanda, o desempregado aceita receber qualquer salário para sair dessa situação.

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