Audiência pública debate caso Igor

A Câmara Municipal de Ouro Preto quebrou o protocolo durante a reunião ordinária de terça-feira (19/9) em solidariedade aos familiares e amigos do jovem Igor Arcanjo Mendes, 20 anos, cruelmente assassinado em uma operação militar, abrindo espaço na Tribuna Livre para que eles pudessem se manifestar. Após a participação, em apoio às manifestações, os vereadores aprovaram uma representação pedindo investigação, intervenção e providências.

Comissão de Direitos Humanos aprovou diversos requerimentos

A representação atendeu a uma convocação do presidente da Câmara, Wander Albuquerque (PDT) e foi apresentada pelos vereadores de Ouro Preto durante Audiência Pública, realizada na manhã de quarta-feira (20/9) na ALMG (Assembleia Legislativa de Minas Gerais), em Belo Horizonte.

Wander afirmou que o legislativo ouro-pretano não medirá esforços para que a justiça seja efetuada. “A Câmara esteve presente na ALMG, onde vários vereadores fizeram uso da tribuna colocando a nossa indignação. O que houve em Ouro Preto, infelizmente, foi um despreparo da Polícia Militar (PM). Nós vereadores vamos continuar lutando para que incidentes como esse não se repitam”.

“A família quer uma resposta, quer justiça. Nada justifica o ocorrido, o rapaz não estava armado e era um trabalhador. Estava com pessoas do bem. Há contradições no caso, a história está mal contada. Nós viemos buscar aqui na ALMG apoio dos deputados da Comissão de Direitos Humanos para que deem uma solução para a família. Isso não pode ficar assim. A Câmara de Ouro Preto está junto com a família”, afirmou o vereador Paquinha (PMN), presidente da Comissão de Direitos Humanos do legislativo ouro-pretano.

Diante do caso, a família do jovem apresentou vários questionamentos às autoridades. Dessa forma, a irmã da vítima, Nayara Mendes destacou que os manifestos continuarão. “Essa posição que os vereadores tomaram agora é de grande importância, pois precisamos do apoio deles para conseguir que a justiça seja feita. Enquanto o Tenente não for preso e não for a julgamento, as manifestações continuarão, nós continuaremos protestando, vamos continuar mobilizando todo mundo”.

Durante o debate, alguns posicionamentos de autoridades foram questionados pelos vereadores, como explica o vereador Geraldo Mendes (PCdoB). “Quero repudiar a presença do comando da PM de Minas Gerais, uma vez que falou e foi embora e não teve a devida paciência de ouvir as pessoas que vieram contestar. Foi uma atitude péssima, que mostra o seu despreparo. E, outra coisa que chamou a atenção de quem estava presente na audiência, é que, da Comissão de Direitos Humanos, os deputados que hoje são ligados a Polícia Militar vieram; até com a intenção de intimidar e falaram o que quiseram, falaram bobagens e também se retiraram. Então, mostrou claramente que eles não têm a intenção de apurar os fatos. Mas, felizmente, foram tirados doze encaminhamentos dessa audiência pública e nós vamos acompanhar de perto para dar esclarecimentos ao povo de Ouro Preto e, especialmente, a família do jovem Igor”.

A promotora de Justiça do Ministério Público de Minas Gerais, Dra. Nívia Mônica da Silva, indagou durante a audiência e afirmou que, “foi publicada no jornal oficial do Estado de Minas Gerais a determinação do procurador-geral de que, além da promotora Luíza Helena, que já está acompanhando o caso, outros dois membros do Ministério Público acompanharão, Flávio Jordão e eu, em apoio para que todas as medidas necessárias ao caso sejam adotadas”.

“Vimos aqui a comoção do povo de Ouro Preto e tivemos vários encaminhamentos para que haja apuração e punição no caso; que se faça justiça. Que quem foi o responsável ou os responsáveis, pague pelo que foi feito”, pontuou o deputado estadual Rogério Correia (PT), autor do requerimento da audiência dentro da Comissão de Direitos Humanos da ALMG.

Ao final da audiência a comissão de Direitos Humanos da ALMG aprovou diversos requerimentos relacionados ao caso, entre eles dois de autoria do deputado Rogério Correia, um deles pedindo a troca do comando do 52º BPM em Ouro Preto. O outro, assinado também pelo deputado Geraldo Pimenta, pede que o militar envolvido na ocorrência seja afastado de suas funções.

Os dois parlamentares e ainda o deputado Thiago Cota tiveram aprovados requerimentos de pedidos de providências e de envio das notas taquigráficas da audiência aos seguintes órgãos: secretarias de Estado de Saúde e Municipal de Saúde de Ouro Preto, para que seja prestado acompanhamento psicológico a familiares de Igor e aos jovens que presenciaram a abordagem policial; Ministério Público (MP), para que intensifique seu papel como órgão de controle externo das Polícias Civil e Militar; comando da PMMG e à chefia da Polícia Civil, para que elaborem um protocolo conjunto para orientar abordagens policiais; comissão de Direitos Humanos da OAB-MG, ao MP e à Corregedoria da PM, para que investiguem com celeridade as circunstâncias da morte de Igor.

Uma representação também foi encaminhada à 2ª Promotoria pedindo proteção à família e aos envolvidos no caso. Dos 15 vereadores de Ouro Preto, 14 estiveram presentes em Belo Horizonte e destacaram que continuarão, junto a família do jovem Igor, lutando para que a justiça seja feita.

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