SUS e o câncer de mama

O medicamento trastuzumabe, utilizado na rede privada há 18 anos, prolonga a vida das pacientes portadoras do câncer que mais mata mulheres no Brasil. André Deeke Sasse e Vivian Castro Antunes de Vasconcelos foram responsáveis por um estudo, encomendado pela Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, para que o SUS disponibilizasse um medicamento em sua rede para tratamento de câncer de mama metastático que pode prolongar, em média, o tempo de vida de pacientes em pelo menos 30%. A medicação vai ser incorporada.

Dois médicos do Grupo SOnHe foram responsáveis pelo estudo

Em 2015 foi feita uma primeira solicitação para que o Ministério da Saúde passasse a disponibilizar o trastuzumabe no tratamento, que não foi aprovada. Em outubro de 2016, nova solicitação foi feita, com a combinação dos medicamentos trastuzumabe e pertuzumabe (outro medicamento que apresentou excelentes resultados no tratamento desta doença, mas que ainda não é disponibilizado pelo SUS).

O estudo foi apresentado no dia 8 de março deste ano, em Brasília e, em abril, foi aberta uma consulta pública relacionada a importância da aplicação destes dois medicamentos pelo SUS. A decisão positiva pela introdução do trastuzumabe foi publicada pelo Diário Oficial da União no dia 3 de agosto desse ano. O governo agora tem um prazo de seis meses para efetivar a oferta.

“O estudo teve a intenção de demonstrar claramente as evidências de benefício da incorporação da medicação, além dos impactos econômicos para a sociedade brasileira. Foi um desafio prontamente aceito. Uma satisfação poder participar de alguns passos para melhorar a saúde pública do Brasil. Temos ainda muitas outras prioridades não atendidas, doenças em que os tratamentos não são disponibilizados pelo SUS e que precisamos tornar viáveis”, afirma o oncologista André Deeke Sasse.

Professor de pós-graduação da Unicamp e membro do Grupo SOnHe, André, juntamente com a enfermeira Adriana Camargo de Carvalho e a oncologista Vivian Castro Antunes de Vasconcelos, também membro do Grupo SOnHe, foram os responsáveis pela importante conclusão do estudo.

Segundo o médico, no sistema privado o tratamento para a mesma doença é feito há vários anos de forma diferente, por meio da atuação das terapias-alvo em conjunto com a quimioterapia. Desta forma, as pacientes do sistema privado vivem melhor e por mais tempo. Recentemente, um estudo científico mostrou que pacientes que abandonam o tratamento convencional contra o câncer como quimioterapia, radioterapia, hormonioterapia ou cirurgia e optam por alternativas com menos efeitos colaterais e sem comprovação científica de eficácia tem o dobro de chance de morrer.

O câncer de mama é o tipo de câncer mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, depois do de pele não melanoma. Ele responde por 28% dos casos novos a cada ano, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca). Cerca de 15 mil mulheres brasileiras morrem em consequência do câncer de mama a cada ano, sendo que metade destas pacientes recebem o diagnóstico já em fase incurável ou apresentam recidiva da doença.

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