Repasse ao HMH gera polêmica

Oposição cobra repasse do município ao hospital. Cada ator social apresenta uma versão diferente e elucidação vira jogo de azar. Uma coisa que se observa nesses vereadores de Mariana é que protocolizam requerimento pedindo resposta a secretarias de governo e instituições contempladas em convênios e não recebem os documentos, ou obtém respostas insatisfatórias e de forma tardia. O vereador Deyvson Ribeiro pediu, através de requerimento, respostas à Prefeitura de Mariana (PMM) e ao Hospital Monsenhor Horta (HMH), não foi atendido em sua solicitação e ficou por isso mesmo.

Hospital Monsenhor Horta. Foto: Divulgação/Website

O vereador José Jarbas cobra o repasse da PMM ao HMH, mas não apresenta os documentos do que foi pago e do que ainda não foi pago. Onde estão esses documentos comprovando ou não os repasses? Qual o valor mensal? Ninguém diz coisa com coisa. A prefeitura nega que está em atraso com o hospital e afirma que repassa todo mês o valor de R$ 423.000,00. Será que o hospital, como as instituições beneficentes do município, foi silenciado pelos políticos como se o prefeito fosse o dono do dinheiro?

ENTENDA O CONVÊNIO ENTRE A PREFEITURA E O HOSPITAL

O município de Mariana, visando amparar os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), firmou convênio com o Hospital Monsenhor Horta para atendimento da população, de segunda a sexta-feira, das 00h às 07h e, aos finais de semana, das 19h do sábado às 7h de segunda-feira. Esta medida não se aplicou às policlínicas do município. Todas as unidades continuaram funcionando normalmente, até 00h. Na Policlínica Centro, uma equipe de onze médicos, quatro clínicos e três pediatras, atendem das 7h às 19h, e dois clínicos e dois pediatras no horário das 19h às 00h. Na Policlínica do Cabanas, um clínico e um pediatra atendem das 18h às 00h. (...) “O repasse é necessário para nós, e é bom saber que podemos contar com a Prefeitura nessas questões relacionadas à saúde pública. Mariana, hoje, tem um quadro favorável em comparação com outras cidades da região”, afirma o diretor do HMH, Wagner Dias, em nota postada no website oficial da prefeitura. Por isso, disponibilizamos o Requerimento 89/2017, de autoria do vereador Deyvson Ribeiro, e a Ata da reunião solicitada através desse requerimento, datada e assinada pelos participantes. Pasme, leitor, por ocasião da reunião marcada para discutir essas e outras demandas sobre o HMH, a Prefeitura de Mariana não mostrou os documentos do convênio, apenas passou um relatório sobre isso e os vereadores engoliram. Nesse samba do crioulo doido quem perde é a população.

BREVE ESCORÇO HISTÓRICO SOBRE O HOSPITAL

Fundado em 08 de novembro de 1970, o Hospital Monsenhor Horta, edificado sob as bênçãos de Dom Oscar de Oliveira, se materializou graças a Misereor, instituição da Alemanha. Os saudosos irmãos Dilascio conseguiram equipá-lo graças à CVRD, BNDES e Movimento Missionário Jesus no Próximo, da Ilha de Malta, através de Jorge Grima. O nome foi uma homenagem a Monsenhor José Silvério Horta. Filho de José Caetano Ramos Horta e de Ana Jacinta de Figueiredo Horta, Monsenhor Horta nasceu na fazenda Monte Alegre, na antiga freguesia de Barra Longa, então município de Mariana, a 20 de junho de 1859, vindo ainda muito criança em companhia dos pais para a cidade, onde fez o curso primário na escola particular do Capitão Bicalho e o secundário com seu pai, então professor público e de esmerado preparo científico. O bispo Dom Benevides chamou-o para seu Palácio, onde o fez cursar Teologia Moral e Dogmática e as demais ciências eclesiásticas, que o habilitaram ao sacerdócio. A ampliação do HMH, então sob a direção dos padres camilianos, o transformou numa referência na região. Administrado pela Sociedade Beneficente São Camilo, de São Paulo, desde 1985, ele contudo nasceu como entidade filantrópica. Desde então, sua área construída saltou de 2.445 m² para 4.709 m². O HMH expandiu seus serviços e foi classificado pelo RECLAR, da Previdência Social, como hospital geral de primeira categoria. O hospital geral possui maternidade e inúmeras especialidades: anestesiologia, cardiologia, clínica médica, cirurgia geral e plástica, dermatologia, ginecologia/obstetrícia, ortopedia, urologia, otorrinolaringologia, oftalmologia e pediatria. Sobrevive, portanto, de convênios particulares; do repasse da Prefeitura de Mariana; e do repasse do Governo Federal, através dos Ministérios da Educação e da Saúde.

NOTA DA PREFEITURA DE MARIANA

"A Prefeitura de Mariana, por meio da Secretaria de Saúde, esclarece a situação do convênio com o Hospital Monsenhor Horta

Ao contrário do que vem sendo divulgado em redes sociais, o município não possui débito de dois milhões com o Hospital. É importante ressaltar que as instituições estão sempre em diálogo e que, apesar do difícil momento econômico vivido em nosso município, a Prefeitura tem priorizado a manutenção dos serviços essenciais básicos para a nossa população e jamais deixará de arcar com os compromissos relacionados ao desenvolvimento da cidade.

Diante desse cenário, é relevante ressaltar ainda que o município fará sim o repasse para o Hospital como sempre fez. O mesmo será realizado no próximo dia 10 de outubro. Aqui priorizamos a transparência e temos, acima de tudo, responsabilidade na execução de nossas ações."

NOTA DO VEREADOR JOSÉ JARBAS RAMOS FILHO

"Denúncia Confirmada.

Hospital Monsenhor Horta sem pagamento por parte da Prefeitura, já chegando a três meses...

A Prefeitura, ao invés de tentar justificar o injustificável, deveria é fazer o pagamento ainda hoje ao invés de ficar prometendo para o dia dez. Os profissionais que trabalham e prestam serviços para o hospital precisam receber e não podem ser penalizados pela MÁ ADMINISTRAÇÃO DA PREFEITURA. Que paguem o que devem ao Hospital e deixem de rodeios. Nenhuma Organização consegue manter os seu pagamentos dentro da normalidade com quase dois milhões a receber.

Não vamos permitir que façam com o Hospital de Mariana o que fizeram com o de Ouro Preto. Estamos de olho..."

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