Mariana ressurge no Globo Repórter

Globo Repórter exibido na noite de 27/10/2017 pautou os dois anos do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), de propriedade da Samarco Mineração, joint-venture das gigantes Vale e BHP Billiton. A reportagem abre com uma vista panorâmica da Sede com seu casario tombado em 1945 como Monumento Nacional, através de Lei Federal. Incrustada no Quadrilátero Ferrífero, a mimosa cidade primaz do Estado depende dos recursos da exploração do subsolo, uma atividade que teve seu auge há mais de 40 anos com a chegada da S/A Mineração da Trindade (Samitri), depois veio a Samarco Mineração, ambas então pertencentes à Belgo-Mineira. Por último se instalou a Companhia Vale do Rio Doce no complexo de Timbopeba. A estatal Companhia Vale do Rio Doce (hoje Vale S/A, privatizada no governo de FHC) adquiriu a Samitri e metade da Samarco, juntamente com a anglo-australiana BHP Billiton.

Núcleo histórico preservado, aberto à visitação, não foi atingido pela onda de rejeitos

"Vítimas vivem em distritos fantasmas" e "15 pessoas insistem em continuar vivendo em vilarejos abandonados" revela a confusão que a Globo faz quando pauta a primeira cidade politicamente organizada das Minas Gerais. Bento Rodrigues é subdistrito de Camargos, este sim distrito de Mariana e que sequer mereceu a atenção da reportagem. Camargos tem uma cachoeira preservada, uma igreja bicentenária em péssimo estado de conservação, um cruzeiro em pedra-sabão, pousadas, um casario antigo, uma ponte que não foi reconstruída e que ligava o distrito ao subdistrito, apresentando potencial para o ecoturismo como cenário de competição de bike enduro.

A reportagem não mostrou as casas pilhadas; não realçou as obras de contenção ou diques; não mostrou a sala de monitoramento de barragens; não foi ao local onde será edificado o Novo Bento; não abordou os acordos judiciais e os TACs firmados; não pautou o desemprego que assola Mariana e Ouro Preto; não cobriu a crise hídrica e as queimadas; não revelou os descaminhos da riqueza auferida com a atividade minerária; não associou o desastre ambiental aos aproveitadores, limitando-se à questão das barracas; não contabilizou o custo da reparação e os recursos repassados ao município e à Cáritas; fez vista grossa ao dividendo eleitoral da tragédia; não divulgou as pessoas e grupos envolvidos na recuperação da bacia do Rio Doce; ignorou alternativas econômicas como a gastronomia, o turismo ferroviário e a aventura...

Link para a reportagem completa do Globo Repórter: https://globoplay.globo.com/v/6249842/

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