Bombeiro Militar chega em Mariana com atraso de quase duas décadas

Primeira cidade politicamente organizada de Minas Gerais, fundada em 16 de julho de 1696, Mariana era atendida pela 3ª Companhia Independente de Bombeiro Militar de Ouro Preto

Mariana passará a sediar a 69ª fração do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG)

A cidade primaz de Minas, autorizada pelos vereadores da época, desapropriou imóvel na Av. Nossa Senhora do Carmo, para abrigar uma Brigada de Incêndio, mas a propriedade acabou ocupada pelo setor administrativo da autarquia Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) e pela Guarda Municipal (GM) sem que ali se instalasse o Corpo de Bombeiros Militar. Durante estes anos, quem prestou o primeiro socorro às vítimas de acidentes, enchentes, incêndios e outros percalços foi o Bombeiro Civil de Mariana.

Dependente da guarnição da vizinha Ouro Preto, a cidade primaz foi sacrificada pelo tempo-resposta às ocorrências. O sinistro da igreja de Nossa Senhora do Carmo, padroeira de Mariana, aos 20 de janeiro de 1999, quando um incêndio destruiu o interior do Santuário, nunca foi esclarecido. Três meses antes, em outubro de 1998, o jornal Folha Marianense publicou matéria sobre a necessidade de vistoria nos imóveis do Centro Histórico e os riscos de incêndio numa cidade barroca dotada de um único hidrante.

Localizada a 110 km da Capital, Mariana passará a sediar a 69ª fração do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG). Mesmo protagonizando o Dia do Estado de Minas Gerais, as autoridades locais não tiveram prestígio o suficiente para trazer o CBMMG nos anos 90. O ato oficial de instalação do Posto Avançado de Bombeiro Militar, instalado na Arena Mariana, aconteceu na terça-feira (12/6).

Resultado de uma parceria do Governo do Estado com a Prefeitura Municipal, a estrutura vai funcionar na Rua São Vicente de Paulo 130. Essa fração dos Bombeiros atenderá ainda os municípios de Catas Altas e Diogo de Vasconcelos, que fazem divisa com Mariana. O Posto Avançado de Mariana terá 18 militares que trabalharão com proteção do patrimônio e meio ambiente, atividades de prevenção, combate a incêndios, investigação, salvamentos, buscas, atendimento pré-hospitalar e perícias.

Mariana, na Região Central, possui 60 mil habitantes, 10 distritos e mais de 2 mil km de estradas vicinais. O seu território é do tamanho de Belo Horizonte. Além de incêndios e inundações, a cidade foi palco do desastre ambiental de Fundão e sofre, todos os anos, com o drama das queimadas. Só mesmo um ano eleitoral, marcado pelo agravamento da crise econômica e sobretudo política, para o governo autorizar a instalação de uma fração do Bombeiro Militar numa cidade duramente atingida pelo desemprego.

 

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