Sessão de encerramento da fase diocesana do processo de beatificação de Dom Luciano é realizada em Mariana

Direito Canônico prevê a instalação de Tribunal Eclesiástico para fomentar os trâmites do processo de beatificação na Igreja Católica

A sessão pública de encerramento com as formalidades canônicas da fase diocesana do processo de beatificação do saudoso arcebispo, Dom Luciano Pedro Mendes de Almeida, foi realizada na sexta-feira (15/06), no Santuário de Nossa Senhora do Carmo, em Mariana. Os documentos do processo foram encaminhados na segunda-feira (18/06) para a nunciatura apostólica, que se encarregará de levar para Roma.

Mais de 6 mil páginas formam o processo

A cerimônia foi iniciada com uma missa em ação de graças, presidida pelo administrador apostólico de Mariana, Dom Geraldo Lyrio Rocha, e concelebrada pelo bispo auxiliar emérito de Brasília, Dom João Evangelista Martins Terra, da Companhia de Jesus; pelo bispo auxiliar de Belo horizonte, Dom Geovane Luís da Silva; pelo bispo de Leopoldina, Dom José Eudes Campos do Nascimento. Estiveram presentes familiares e amigos de Dom Luciano, além de padres jesuítas.

Tribunal Eclesiástico

Reconhecendo o empenho dos membros do tribunal eclesiástico estabelecido para o processo, o promotor de Justiça, Dom Geovane Luís da Silva, informou que durante os quase quatro anos que perdurou a fase diocesana, cerca de 70 sessões foram realizadas e mais de 60 pessoas foram ouvidas, dentre elas, cristãos leigos e leigas, religiosos e religiosas, padres e membros do episcopado brasileiro.

O administrador apostólico de Mariana, Dom Geraldo, também agradeceu o tribunal, na pessoa de monsenhor Roberto Natali, juiz delegado do processo, destacando a “dedicação sem limites” de todos que o compuseram. Dom Geovane disse que o objetivo da Arquidiocese com o término do Processo em nível Arquidiocesano é que a Igreja, iluminada pelo Espírito Santo, avalie a documentação e identifique a palavra que o Senhor quer transmitir através da vida e testemunho do Servo de Deus.

Os membros que compõem o tribunal, o administrador Apostólico, o juiz delegado, o promotor de justiça, o postulador na fase diocesana, Cônego Lauro Sérgio Versiani Barbosa, e os notários, padre Edmar José da Silva e Edite Reis da Paciência, prestaram juramentos colocando a mão sobre a Bíblia e assinaram a ata da sessão. No final da cerimônia, as mais de 6 mil páginas que formam o processo e a ata foram inseridas dentro de uma arca de madeira lacrada com o sinete de Dom Geraldo, aplicado sobre a cera derretida, que permanecerá guardada na Cúria. Outras duas cópias foram levadas para a nunciatura apostólica, na segunda-feira (18), pelo portador, Cônego Lauro Sérgio Versiani Barbosa.

De agora em diante, a causa segue para a fase romana, sendo de competência da Santa Sé, o juízo sobre a santidade. O postulador da fase romana será o padre Pascual Cebollada, SJ, Postulador Geral da Companhia de Jesus, nomeado por Dom Geraldo. “Estão também em andamento os trabalhos de tradução para o italiano dos depoimentos. Este trabalho está confiado a tradutores juramentados do Arsenal da Paz (Sermig), em Turim, na Itália”, informou Dom Geraldo.

Antes de declarar encerrada a sessão, o administrador apostólico ressaltou que a última palavra a respeito da declaração de santidade de Dom Luciano é a do Santo Padre e anunciou que as notícias de graças alcançadas podem ser dadas ao Tribunal.

Reconhecimento

Na homilia da missa em ação de graças, Dom Geraldo, comparou a experiência do encontro de Dom Luciano com Deus com a do profeta Elias, que viveu de forma profunda as bem-aventuranças, narradas na proclamação do Evangelho (Mt 5,1-12). “O papa Francisco, na exortação apostólica, Gaudete et Exsultate, nos recorda as bem-aventuranças como um caminho para a santidade. Como Dom Luciano buscou encarnar em sua vida essa mensagem tão forte do Evangelho de Jesus, a Arquidiocese de Mariana se sentia motivada a solicitar a Sé Apostólica a permissão para se instaurar o processo de beatificação daquele que foi o 4º Arcebispo desta igreja particular, de quem eu tive a grande honra de suceder como 5º Arcebispo”, destacou.

O postulador da fase arquidiocesana, Cônego Lauro Sérgio Versiani Barbosa, destacou durante a sessão de encerramento que a vida de Dom Luciano, as funções que ele desempenhou e os serviços realizados “sublinham a relevância eclesial” da sua Causa de Beatificação. “A trajetória humana e espiritual de Dom Luciano evidencia o triunfo da graça de Deus em sua vida, tudo realizando para a maior glória de Deus e bem dos irmãos. [...] Na configuração a Jesus Cristo, [Dom Luciano] aceita uma vida sem privilégios, partilhada, solidária na dor, abraçando a cruz. Sua vida se tornou parábola do Evangelho de Jesus”, afirmou.

A advogada Antônia Accarino Mucciolo, conhecida como Toninha, que trabalhou com Dom Luciano por cerca de 30 anos, diz ter revivido durante a sessão as memórias que guarda dele. "Eu o ajudava muito em missão quando ele era bispo auxiliar de São Paulo, ajudava na agenda dele e, depois, na época da doença, eu o acompanhei no hospital. Estar aqui fez passar na minha cabeça toda uma história. Uma história de graça. Dom Luciano era um santo, a gente quando fala de santo acha tão longe e ele viveu tão perto de nós, realmente foi uma graça muito grande", reconhece.

 

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